Crianças alérgicas e a volta às aulas

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Elas passam o maior tempo do dia na escola e as doenças podem interferir no aprendizado

As aulas começam e os pais já pensam como será o cuidado e o tratamento dos filhos alérgicos longe de casa, já que professores e funcionários nem sempre estão preparados para lidar com as doenças. Um exemplo é a rinite alérgica, que causa obstrução nasal, aumento das adenoides ou otite, acarretando dificuldade para respirar, para falar e até para ouvir. Esses sintomas aparecem de forma discreta, muitas vezes não sendo percebidos pelos professores ou pelos pais, mas podem atrapalhar o aluno nos ditados, na concentração e nas aulas de educação física.

Rinite, asma, bronquite, dermatite atópica, além das gripes, resfriados, pneumonias e infecções otorrinolaringológicas, como otites, amigdalites e sinusites são algumas doenças alérgicas muito comuns que atingem os estudantes, podendo ocasionar faltas e baixo desempenho escolar. “Essas doenças, se não forem devidamente tratadas, diminuem a produtividade do adulto no trabalho e do aluno na escola. É comum crianças com rinite apresentarem algum grau de dificuldade na escola e de interação social. As alergias atrapalham o sono, o olfato e o paladar, e podem levar a complicações”, explica a médica Adriana Schmidt.

A médica ressalta que as principais causas de alergias são, em primeiro lugar, a predisposição genética, que é determinante (se ambos os pais são alérgicos, a probabilidade de uma criança vir a se tornar alérgica é maior do que não sê-lo, ou seja, 60 a 80%). Em seguida, os alérgenos ambientais, como os ácaros, são os mais frequentemente envolvidos nas reações alérgicas, especialmente as respiratórias. Os polens, os pelos de animais e o mofo (fungos) também são potenciais causadores de alergia.  “A poluição, assim como a fumaça de cigarro, também atua como um indutor de resposta inflamatória nas vias aéreas por mecanismos irritativos, agredindo diretamente a mucosa respiratória”, afirma Adriana.

Tratamento e cuidados na escola 

Ambientes fechados, como a sala de aula, aumentam a propagação de micro-organismos, tais quais os vírus e as bactérias, acrescendo as chances de doenças contagiosas, especialmente a gripe e resfriados. A médica aconselha manter as janelas abertas para a renovação do ar e evitar o uso de ar-condicionado, já que resseca o ambiente.

O principal tratamento das alergias é afastar os alérgenos envolvidos. Concomitantemente, as crianças fazem uso de medicações preventivas por algum período, como os corticoides tópicos nasais, no caso da rinite, os inalatórios, no caso da asma, e os tópicos cutâneos no caso das dermatites.

Se o tratamento coincidir com os horários das aulas, os pais devem conversar com os professores e levar anotado o horário e a quantidade de medicamento que a criança deve usar. É necessário haver sempre o diálogo entre a família e a escola. Já na matrícula, os pais devem providenciar cópias de receitas médicas e números de telefones para emergências.

E o papel da escola?

A escola deve se responsabilizar pela limpeza das dependências escolares, fora do horário das aulas e manter as salas de aulas ventiladas. Providenciar a lavagem de cortinas e a limpeza dos aparelhos de ar-condicionado também são medidas importantes. Além disso, o pó do giz pode provocar irritação e alergias, agravando a asma e a rinite. O recomendado é utilizar quadro branco ou limpar o pó com pano úmido. Crianças asmáticas não devem ser excluídas das aulas de educação física. Pelo contrário, podem ser estimuladas a praticar esportes, desde estejam dispostas e com a doença controlada. É importante que o professor saiba da condição do aluno.

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