Sobrou óleo?
Casa e Decoração - Publicado em 4 de Setembro, 2007
Além de entupir a pia, jogar os restos de óleo de fritura no ralo não faz bem para o meio ambiente. Conheça as ações que dão um final feliz a esse ingrediente
Depois de fritar batata, mandioca ou um rechonchudo pastel, vem a dúvida: o que fazer com o óleo que resta na frigideira? Na maioria das cozinhas, existem três opções de solução.
1) Guardar o óleo para mais tarde e usá-lo até a exaustão - mas, diga-se, as partÃculas pretas que impregnam nos próximos nuggets acabam sempre forçando os cozinheiros a partir para outros jeitinhos;
2) virar, sem dó, a frigideira na pia e torcer para que o óleo não deixe o cano entupido;
3) despejar todo esse lÃquido viscoso em um saquinho ou recipiente descartável e jogá-lo no lixo.
O que muita gente não sabe é que qualquer uma dessas alternativas, na verdade, não traz final feliz à vida do óleo de cozinha. Isso porque, depois de descer cano abaixo, é ele que tem três caminhos a seguir:
1) ficar retido no encanamento e ter a sorte de ser separado por uma estação de tratamento e saneamento básico;
2) estar nos 68% de esgoto que não chega a ser tratado e acabar se instalando na superfÃcie dos rios e represas, impedindo os organismos aquáticos de respirar;
3) por fim, ficar no solo, impermeabilizá-lo contribuindo com enchentes, por exemplo, e, pior, entrar em decomposição - o óleo de cozinha solta gás metano durante esse processo e, assim, agrava o efeito estufa.
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Diante desse ciclo nada promissor, algumas organizações não-governamentais e mesmo prefeituras vêm desenvolvendo ações para dar um fim menos trágico à s sobras do óleo de fritura. Usá-lo para a fabricação de sabão, por exemplo, é uma das alternativas que têm aparecido com mais freqüência. “QuerÃamos que os habitantes da cidade também tivessem consciência de que podem fazer alguma coisa pela ecologia. O óleo de cozinha foi o meio encontrado para isso”, diz Fernanda Correia, do Instituto Triângulo, que desde 2002 conscientiza a população do Grande ABC sobre o problema e coleta o ingrediente para transformá-lo no chamado sabão ecológico.
Só no primeiro semestre deste ano, o instituto recebeu quase 50 toneladas de óleo. Grandes empresas, restaurantes e condomÃnios têm, cada vez mais, solicitado o trabalho de conscientização da organização, que vai até os lugares coletar as sobras do produto por meio do chamado Disque-Óleo. “Acima de seis litros de óleo, buscamos na própria casa de quem nos ligou”, afirma Fernanda. Para ela, mais importante que a coleta é a noção que o instituto dá à s pessoas de que um ato comum na cozinha pode resultar em uma futura catástrofe ambiental.
A mensagem do instituto, como eles querem, tem se propagado. Iniciativas similares estão sendo levadas a sério em outros locais do Brasil. Mesmo em São Paulo, onde não existe um projeto da prefeitura nesse sentido, a Sociedade de Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César junto da Ong Trevo deu inÃcio, recentemente, à coleta de óleo de cozinha na região dos Jardins, assim como a rede de supermercados Pão de Açúcar está já há dois meses fazendo esse trabalho de coleta em algumas unidades.
Em outros estados, como em Curitiba e Porto Alegre, é a prefeitura que dá o exemplo e encabeça projetos que dão um fim ecológico à s sobras de óleo de fritura. Isso porque, além de sabão, esse ingrediente pode entrar na composição de produtos que vão desde ração animal até combustÃveis naturais, como o biodiesel, produzido totalmente por meio de fontes renováveis. Quem não possui postos de coleta próximos de casa pode, no entanto, dar um destino mais simples, e não menos nobre, ao seu próprio óleo: produzir o sabão caseiro. Veja a receita abaixo, cedida pelo Instituto Triângulo.
Por Viviane Aguiar
SABÃO ECOLÓGICOÂ
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Eis o sabão ecológico
Ingredientes
• 2 litros de óleo de cozinha usado
• 350 g de soda cáustica em escama
• 350 ml de água
Modo de preparo
Dissolva a soda cáustica na água em um balde reforçado ou em uma lata de tinta de 18 litros. Reserve. Coloque o óleo, já coado, em um recipiente e leve ao fogo até aquecer em temperatura aproximada a 60ºC. Apague o fogo e, em seguida, acrescente a soda, já dissolvida, e mexa até engrossar por 20 a 30 minutos. Despeje o conteúdo em fôrmas de sabão e aguarde a secagem.
DICA: Cuidado ao dissolver a soda cáustica. Use luvas e óculos de proteção para evitar acidentes e deixe o sabão em descanso depois de pronto por alguns dias, antes de usá-lo.
DÚVIDA? A soda cáustica, aliás, também é um componente não bem-vindo na natureza. Em contato com o óleo de cozinha, segundo Fernanda, “a reação anula as propriedades um do outro. Na verdade, o sabão ecológico causa menos mal que um comprado no supermercado porque tem menos produtos quÃmicos e industriais”.
PREGUIÇA? O Instituto Triângulo ainda não vendo no atacado seu sabão ecológico. Mas é possÃvel, dependendo da solicitação, adquirir as pedras de 1 quilo produzidas pela organização por R$ 2,50 cada.Â
ONDE LEVAR SEU ÓLEO
Depois de fritar, junte o óleo que sobrou em garrafas de refrigerante e o leve para os postos de coleta. Não é preciso coar o óleo antes de engarrafá-lo.
EM SÃO PAULO
Embora ainda não exista um projeto da prefeitura para a coleta de óleo de cozinha, as organizações não-governamentais se mobilizam para fazer esse serviço. No Grande ABC, é o Instituto Triângulo o mais conhecido. Em São Paulo, a coleta pode ser feita em algumas unidades da rede de supermercados Pão de Açúcar e também pela Ong Trevo e Samorcc (Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César) que, recentemente, deram inÃcio a um programa do gênero especÃfico para a região do Jardins.
INFORME-SE:
• Instituto Triângulo
Fone: (11) 4991-1112 (a coleta é feita, geralmente, no próprio local que solicitou, mas deve-se ter um mÃnimo de seis litros para a solicitação)
www.triangulo.org.br
• Trevo e Samorcc
Fones: (11) 6161-3867, 3531-2116 e 3262-4767 (é só informar o nome, telefone e endereço para que a equipe do programa possa retirar o óleo, embalado em garrafas PET, seja coletado)
www.trevo.org.br
• Pão de Açúcar
Fone: 0800-7-732-732
Inicialmente, a coleta está sendo feita nas seguintes unidades: Angélica, Borba Gato, Brooklin, Carneiro da Cunha, Morumbi, Pedroso, Portal, Real Park, Ricardo Jafet, Santo Amaro. É preciso levar qualquer quantidade de óleo embalado em garrafa PET.
EM CURITIBA
Na capital paranaense, o óleo de cozinha é recolhido pela Prefeitura, que lançou o projeto em janeiro deste ano. Os curitibanos podem levar o óleo em garrafas PET nos 83 pontos do programa Câmbio Verde e nos 24 terminais de ônibus da cidade. Em breve, os chamados Armazéns da FamÃlia também vão recolher o produto.
INFORME-SE:
Fones: 156 ou (41) 3338-8399 (departamento de Limpeza Pública)
www.curitiba.pr.gov.br
EM PORTO ALEGRE
O Programa de Reciclagem de Óleo de Fritura de Poá está vinculado ao Pró-Dilúvio, um projeto da prefeitura que promove ações de saneamento e educação ambiental. Lançado também neste ano, o programa já conta com oito postos espalhados pela capital.
INFORME-SE:
www.portoalegre.rs.gov.br
EM FLORIANÓPOLIS
Em Floripa, a coleta é feita pela Universidade Federal de Santa Catarina que, desde o ano passado, desenvolve o projeto chamado FamÃlia Casca, em que recupera o óleo de cozinha e o transforma em combustÃvel. No entanto, o projeto coleta o produto apenas na região próxima à universidade, incluindo os bairros de Trindade, Córrego Grande, Pantanal e Carvoeira. Outra maneira de dar um fim útil ao óleo de bares e restaurantes na cidade é por meio da Associação Industrial e Comercial de Florianópolis, a Acif, que dirige o programa ReÓleo.
INFORME-SE:
www.acif.org.br
NO RIO DE JANEIRO
Os cariocas podem levar o óleo que seria jogado pelo ralo para os postos implantados pelo Programa de Reaproveitamento de Óleos Vegetais, o Prove, firmado entre a iniciativa privada, a Refinaria de Manguinhos, e a Secretaria de Meio Ambiente do Rio. Entre os postos de coleta está o Circo Voador. Outro meio de colaborar é ligar para o Disque-Óleo: basta entrar em contato para a equipe desse programa visitar sua casa
INFORME-SE:
• Disque-Prove: (21) 2598-9240
• Disque-Óleo: (21) 2260-3326 (www.disqueoleo.com.br)
EM SALVADOR
O engenheiro quÃmico Luciano Hocevar é o responsável pela Renove, Reciclagem de Óleos Vegetais, e pela picape que passa pelas casas da cidade fazendo a coleta do óleo de cozinha.
INFORME-SE:
Fone: (71) 9979-2504
www.renoveoleo.com.br
 Fonte: www.guiadasemana.com.br
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