Mudanças no hábito alimentar podem salvar sua vida

Doenças como a Gota pioram os sintomas com o predomínio de uma dieta rica em carnes, frutos do mar e alimentos hiper calóricos

A gota, também conhecida como artrite gotosa, é uma das doenças mais registradas na história da Medicina e é caracterizada pelo aumento do ácido úrico no sangue (hiperuricemia), que pode ocorrer devido a uma maior produção ou dificuldade de eliminá-lo pelos rins. O excesso de ácido úrico causa episódios súbitos e graves de dor, sensibilidade, rubor, calor e inchaço das articulações.

Esse aumento pode ser causado por fatores genéticos associados a excessos na alimentação e desencadeados pela ingestão de álcool. Outro vilão para os portadores de gota são os remédios diuréticos, comumente usados por pessoas hipertensas e dentro de fórmulas de emagrecer contribuem para os níveis de ácido úrico. Estudos recentes comprovam que mulheres hipertensas e que usam diuréticos têm a mesma probabilidade do que os homens de desenvolver a doença. Existe também uma grande associação da doença a níveis altos de colesterol e triglicérides.

O excesso de ácido úrico circulante se transforma em minúsculos cristais em formato de agulha, que se depositam nas articulações causando inflamação e dor interna. Geralmente na fase aguda a gota se manifesta com crises articulares, muito dolorosas, com duração de poucos dias ou semanas.

As principais articulações acometidas são o dedão do pé e tornozelo, mas subseqüentemente também o joelho, cotovelo, punho, dedos das mãos entre outras. A pessoa pode passar por período assintomáticos, de meses ou anos, e posteriormente apresentar crises menos intensas, cronificando a doença.

Vale lembrar que os cristais de ácido úrico também podem depositar-se nos rins cálculos renais, insuficiência renal e aumento da pressão arterial, ou na pele onde formam caroços salientes (tofos gotosos), sobretudo nas orelhas e dedos das mãos e dos pés.

A ocorrência da gota é mais freqüente no homem de meia idade, com peso acima do normal, geralmente com histórico familiar da doença. É rara em mulheres antes da menopausa.

O ácido úrico é um subproduto de vários processos que ocorrem no organismo, também é formado após a ingestão de alimentos ricos e purina, como as carnes vermelhas, anchovas, vísceras, espinafre, aspargos, lentilhas e outras leguminosas, chocolate, cerveja e vinho tinto.

“A dor provocada pela gota é tão intensa que o paciente sequer suporta o contato dos lençóis com a região afetada”, afirma Dra. Evelin Goldenberg. Em casos mais agressivos, os portadores podem desenvolver cálculos renais. Outra característica da doença é a formação de tofos, que são nódulos intra-articulares e subcutâneos, resultantes do acúmulo de cristais nos tecidos.

Os tofos afetam principalmente o dedão do pé. Mas joelhos, tornozelos, punhos, pés e dedos das mãos também podem ser afetados. Apesar de serem indolores, os tofos podem causar limitação e destruição articular, além de deformidades graves.

Tratamento:

O tratamento da artrite gotosa costuma ser feito com drogas antiinflamatórias e com medicamentos para reduzir a produção de ácido úrico pelo organismo ou aumentar sua excreção. Há novas dragas para o seu tratamento, entre elas Febuxostast que diminui a síntese de ácido úrico no organismo e tem como vantagens o fato de ser menos tóxico e mais eficaz que os medicamentos já existentes, além de não precisar de um ajuste de dosagem para pacientes com problemas renais.

Com esses medicamentos e hábitos alimentares equilibrados, é possível controlar a gota. “Mas se o paciente não seguir corretamente o tratamento, as crises tornam-se crônicas, provocando lesões nas articulações. Além disso, a doença pode evoluir para um quadro de insuficiência renal há estudos que a vitamina C pode ajudar no controle”, alerta a reumatologista.

De acordo com a Dra. Evelin Goldenberg, algumas recomendações fundamentais para os casos de gota, os pacientes devem beber no mínimo oito copos de água por dia, para diluir a urina e reduzir os níveis de ácido úrico e formato de cálculos, além de evitar o consumo exagerado de álcool e reduzir o peso corporal, seguindo uma dieta alimentar adequada. Vale lembrar que os desgastes físicos e emocionais também podem provocar um acesso de gota.

Alimentação para pacientes com Gota:

· Pode-se comer todo tipo de alimento, mas sempre com moderação. Se o paciente tiver cálculos renais, será preciso limitar ou evitar alguns alimentos que aumentam os níveis de ácido úrico, como, peixes, crustáceos, aves domésticas e carnes, miúdos e legumes como soja, feijão e ervilha;

· Não é proibido tomar chá ou café, mas deve-se limitar a quantidade de álcool (cerveja e vodka são os piores; o vinho chega a ser controverso se houver o consumo de um copo ao dia não trás benefícios);

· Tomar líquidos não-alcoólicos é muito importante para eliminar o excesso de ácido úrico do organismo. A recomendação é de 10 e 12 copos de 250ml por dia.

Evite:

Certos alimentos podem aumentar os níveis de ácido úrico. Para balancear sua dieta, consulte o nutricionista. Pode ser necessário reduzir as quantidades ingeridas dos seguintes alimentos:

• Sardinhas, anchovas e frutos do mar

• Aves domésticas e carnes

• Miúdos (rim, fígado)

• Legumes (feijão, soja, ervilha)

Por Dra. Evelin Goldenberg

Autora do livro “O coração sente, o corpo dói – Como reconhecer e tratar a fibromialgia” (Ed. Atheneu) e, defendeu tese de doutorado sobre o tratamento da fibromialgia com acupuntura. A Dra. é coordenadora do curso de pós-graduação em reumatologia, com ênfase ocupacional do Hospital Albert Einstein, São Paulo, e professora colaboradora da disciplina de Clínica Médica da Unifesp-EPM.

Fonte: www.wmulher.com.br

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