É hora de dormir

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A psicóloga Maria Cristina Capobianco dá dicas e ensina alguns truques para fazer a criança dormir.
Dormir pouco afeta o crescimento infantil, e as horas corretas de sono são importantes para a liberação do hormônio do crescimento. Crianças que seguem os horários dos adultos e dormem pouco corre o risco de ter sérios problemas de desenvolvimento, alerta a psicóloga Maria Cristina Capobianco.

Isso ocorre porque o hormônio do crescimento é liberado nas fases mais profundas do sono.  Quem tem sono ruim, na quantidade ou na qualidade, tende a ter déficit de crescimento. As horas de sono necessárias variam conforme a idade. Um recém-nascido, que está com o sistema nervoso em amadurecimento, precisa dormir até 20 horas diárias. Uma criança de três anos deve dormir 10 ou 11 horas durante a noite e tirar uma soneca no dia.

A psicóloga explica “não basta dormir o número de horas indicado. Também é preciso ir para a cama na hora certa. O ideal, segundo os neurologistas, é que as crianças pequenas se deitem entre as 19h30 e as 20h30”. Certos hormônios só são liberados adequadamente no organismo quando se está acordado durante o dia e se dorme durante a noite.Há crianças que ficam acordadas até a meia-noite. Isso é muito prejudicial à saúde das crianças. Evidências científicas ligam a falta de sono a um maior risco de obesidade, diabete, doenças cardiovasculares e infecções.

A maneira mais fácil de perceber se a criança está dormindo pouco é observar como ela acorda. Cansada, ela reluta a sair da cama. “Na primeira oportunidade que tem, ela encosta e dorme. Isso ocorre muito no trajeto da casa à escola, dentro do carro. Essas crianças podem ficar hiperativas e ter dificuldade de concentração. Também costumam ficar irritadiças e até agressivas. E, ao contrário do que ocorre com os adultos, tomar uma xícara de café não resolve o problema do sono”, afirma Cristina.

Além dos benefícios para a saúde, colocar o filho para dormir sempre na mesma hora é importante para o desenvolvimento psicológico da criança. É importante que a criança saiba que num momento ela vai tomar banho, depois pôr o pijama, depois jantar, depois brincar, depois escovar os dentes e depois dormir. Quando sabe o que vai acontecer depois, ela ganha segurança. É por isso que muitas crianças assistem ao mesmo desenho 20 vezes.

Se a mãe souber todas estas informações será muito mais fácil transmitir estas rotinas e necessidades para o filho. Acontece que muitos  pais querem ficar mais tempo com os filhos, isto é legítimo e necessário, porém são os pais que devem se adaptar aos horários dos filhos e não vice versa. Ser pai ou mãe, não significa dar afeto somente, significa colocar limites e promover rotinas saudáveis

Muitos pais não sabem o que fazer na hora de colocar a criança para dormir no horário determinado por eles, para essa situação a psicóloga esclarece que é importante que os pais saibam a importância da rotina e os benefícios  que traz para a criança.

Rotina ajuda na hora de dormir. A criança deve dormir na mesma hora e ter seus “rituais” noturnos (uma ordem para tomar banho, vestir o pijama e escovar os dentes). A rotina ajuda a criar bons hábitos. Perto da hora de dormir, a família deve começar a apagar as luzes da casa e, se os pais forem ficar acordados, o volume da televisão deve ser baixado. Deve-se evitar atividade física antes de dormir, como brincar de luta, porque isso deixa a criança agitada. Especialistas também afirmam que refeições pesadas à noite devem ser evitadas. Às vezes ler uma história na hora de dormir é algo que as crianças gostam e reforça o vínculo com os pais.

Freqüentemente a criança tem pesadelos a noite, especialmente por volta dos 3 a 5 anos. Os pais precisam tranqüilizá-la levá-la para a cama, e se necessário ficar com ela até que volte a dormir.

A maioria das crianças tem o hábito de querer dormir com os pais, e eles acabam cedendo nas primeiras vezes, mas isso não pode se tornar uma rotina para criança. A psicóloga explica que a solicitação da criança de dormir com os pais ocorrem em muitas famílias. “Quero dormir com vocês!” Este apelo precisa ser visto num primeiro momento como natural, como um não querer se desprender dos pais, ficar um tempo mais acordado, ter medo do escuro e assim por diante. Acontece mais freqüentemente entre 2 e 5 anos. O importante é que os pais aos poucos os orientem de forma tranqüila e firme, dizendo-lhes que da mesma forma que a criança tem objetos de uso pessoal, como escova de dente, talheres, ele também tem sua cama.

Para um melhor desenvolvimento infantil é necessário que os filhos tenham seu próprio espaço, ou seja, sua cama, seus objetos, seus brinquedos e que adquiram suas responsabilidades e autonomias de acordo com a idade, como escovarem os dentes, se alimentarem, se vestirem, tomarem banho e com o passar dos anos saírem sozinhos de casa.A partir desta idade, à medida que a criança vai crescendo é importante ser mais firme e não permitir que ele fique com os pais. Se os pais cedem às vezes e não outras, isto deixará a criança confusa. Acontece muito freqüente em filhos únicos, nas famílias onde não há outras crianças e ele se sente sozinho, como excluído desta vida que os pais têm a dois na cama. A “vida dos pais na cama” é dos pais, não dos filhos; há situações nas quais uma criança não pode ser incluída e ela precisa apreender isto.

Às vezes algum evento conturbador na família, como por exemplo, uma morte de alguém próximo, a mudança de casa, de país ou de cidade, o adoecer de algum irmão pode facilitar alguns comportamentos que os psicólogos chamam de “regredidos”. São comportamentos, que as crianças já haviam superado e que devido a um momento de insegurança podem voltar acontecer. A criança regride. Nestes casos, através destes comportamentos a criança mostra que algo não vai bem, que precisa de ajuda, que alguém converse com ela a respeito da sua angustia dos seus medos.

Algumas crianças trocam a noite pelo dia. Na fase pré-escolar e até a puberdade é preciso compreender porque a criança trocou a noite pelo dia. Às vezes as mudanças de pais, as viagens longas, as diferenças no fuso horário interferem na rotina do sono. É importante recuperar a rotina do sono avaliando o que fez afetá-la desta forma.

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